Outro grupo que é atração nas ruas quando resolve fazer exposição é o Magrelas's Bike Club.
Esse projeto é inspirado na cultura dos mexicanos, que insatisfeitos com as imposições dos estadunidenses ao povo latino-americano, começaram a transformar os seus carros, surgindo assim o que conhecemos hoje como cultura low rider.
quarta-feira, 24 de junho de 2009
As mais variadas tribos em um mesmo contexto
Paradoxos do Capão
Após uma grande crise mundial (1982) que acabou com a maior parte dos 250 mil empregos nas Indústrias do bairro de Santo Amaro, a miséria e a violência explodiram na região, iniciando-se as favelas. Na verdade não era o pai desempregado que entrava para o crime, e sim seus filhos, que nem sequer tinham idade para o mercado de trabalho; com a falta de dinheiro na família, a qual era desestruturada, os jovens saíam para conseguir o seu próprio dinheiro de forma errada.
Com toda essa pobreza, a população carente não dispõe nem do básico - saneamento, segurança, ensino e saúde.

O número de favelas e a criminalidade só aumenta. As crianças e os jovens de hoje são os adultos de amanhã, mas parece que na atualidade, a idade não mais importa.
Apesar do aspecto pobre, a maioria dos habitantes da região tem acesso à Internet, TV a cabo, e celulares de última geração. Grande parte também possui carros e não costumam ser velhos.

Observou-se que a violência provocada pela oposição entre jovens pobres x ricos é solidificada pela falta, nas cidades, de espaços ou situações de convivência entre eles. Sendo assim, a dinamização do Parque Santo Dias, aumentaria as potencialidades do bairro, no sentido de promover o contato e o convívio entre os indivíduos dos diferentes níveis sociais existentes no interior do seu próprio território.
Se fizermos uso dos termos que Umberto Eco designou para representar duas visões antagônicas - Integrados e Apocalípticos - com toda certeza, o Capão é 100% Integrado; pois lá, tudo pode, tudo é aceito.
Em meio a todo caos, ainda existem pessoas que acreditam na salvação; acreditam que se a violência, a pobreza, a miséria e a falta de respeito são causadas pelo homem, ele próprio pode - e deve - mudar isso tudo. É um caminho estreito, mas ele vem sendo percorrido pouco à pouco, e já surte efeito. A busca por uma situação melhor sempre, é o que queremos que nunca acabe.
terça-feira, 23 de junho de 2009
Capão também é diversão !
A Cooperifa é um movimento cultural para pessoas que largaram o conforto do discurso de aceitação e tem como lema “consciência e atitude”. O projeto é voltado para pessoas que amam literatura e que têm algo a dizer. O microfone do sarau é para todos que quiserem expor as suas idéias, seus discursos em forma de poesia. Poesia vem da alma; e a alma de um morador de periferia, que foi colocado à margem da sociedade, pode ter certeza que tem muito a dizer.
O clima não poderia ser melhor, a descontração toma conta do lugar; você percebe nos olhos de todos, a felicidade de aquele lugar existir em meio ao caos. É um mundo lúdico para questionar e/ou fugir da realidade imposta.O sarau é realizado todas as quartas-feiras, a partir das 20:30, no Bar Zé Batidão.
Endereço: Rua Bartolomeu dos Santos, 797
Funciona de segunda à quinta, das 13h às 21h e nos finais de semana, conferir Calendário de Evento.
Endereço: Rua Dr. Luís da Fonseca Galvão, 248Urbanização de um estrada colonial
A estrada de Itapecerica da Serra existe desde os tempos coloniais. Por ela passavam toda a produção de carvão e madeira. Em 1957 ela foi asfaltada e ligava a cidade de Santo Amaro e São Paulo à Ibuguaçu, Itapecerica da Serra e Embu das Artes.
O lado Caapuã do Capão
A história do Capão Redondo começa com a cidade de Santo Amaro, uma das primeiras cidades do Brasil, que se tornou muito conhecida pela presença do primeiro núcleo de imigrantes alemães na cidade de São Paulo. Em 1827/1829, esses imigrantes se instalaram residencialmente, formando uma colônia. O bairro do Capão Redondo surge junto com um Projeto Missionário Adventista para expandir a mensagem evangélica no Brasil. Os adventistas chegam ao Capão Redondo através de uma moça negra chamada Catarina das Dores, filha de Domingas, uma escrava alforriada da família Klein. Catarina foi a primeira aluna do Colégio Adventista. A presença alemã foi que atraiu os adventistas que tentaram convertê-los primeiro, e depois a população brasileira. Os aproximadamente, mil imigrantes alemães que vieram para cá, começaram a se “misturar” com a população nativa, dando origem aos “caipiras de olhos azuis”. Esses caipiras foram se estabelecendo na região, formando os bairros que estão próximos à cidade de Santo Amaro.
A origem do nome “Capão” vem do tupi Caapuã, trecho pequeno de mata arbórea em meio a um campo, mato redondo, ilha de mato. No passado, o Capão era constituído de chácaras e sítios. Era uma área muita vasta e circular de mata atlântica. Havia muita capoeira, pois naquela época (século XVIII), apesar da pequena populacão - de 3 a 4 mil habitantes - presenciavam-se muitos negros. Esses negros eram escravos que acompanhavam os fazendeiros da região. Os documentos mostram que nessa mesma época existia um quilombo, chamado “O Quilombo da traição”. Ele localizava-se na antiga divisão entre Santo Amaro e a cidade de São Paulo, hoje seria a Usina Elevatória, próxima a Marginal Pinheiros. Toda essa área era um grande sertão abandonado, e perto dali havia seduções jesuíticas, onde muitos índios ainda moravam.
Nos anos 60, houve o surgimento de grandes favelas, formadas pela presença de nordestinos (pernambucanos, alagoanos, baianos), que estudaram no Colégio Adventista. Assim, o colégio perde uma grande área que antes era destinada para criação de gados; gados estes que vinham dos EUA, e realizavam uma produção de leite 10x maior que a nacional. Com a desapropriação da fazenda em 1979, surge a COHAB Adventista.